10 de março de 2016

Eutanásia!

Eu ainda estava na escola quando ouvi falar em eutanásia e sempre tive a mesma opinião sobre o assunto. Sou contra! Acho muita petulância nossa decidir o fim da vida de outro alguém, ainda que haja muito sofrimento, só Deus sabe da história daquela alma e até aonde vai sua vida. Acho irresponsável envolver terceiros neste ato, pessoas que estudaram e fizeram um juramento em prol da vida.

Por estas e outras simpatizo muito com a religião espirita, é uma religião que não vive de mistérios, tudo tem um propósito, uma explicação, nada fica por esclarecer. E não, espiritismo nada tem a ver com "macumbas" e afins, NADA! Se quiser saber um pouco mais, lê AQUI

Encontrei um texto muito bom, leitura fácil e esclarecedora quanto à visão espírita sobre a eutanásia e vou partilhar com vocês, acho esta leitura interessante, seja para concordar ou discordar, acredito que este tema mereça muita discussão.




Eutanásia - Visão espírita.
O termo Eutanásia é de origem grega e significa 'boa morte" (eu=boa e thanatos=morte). Em medicina, que dizer abreviar a vida dos pacientes terminais ou incuráveis, que estão em grande sofrimento. Neste sentido, considera-se eutanásia, tanto o uso da medicação que provoque a morte, como o desligar de um aparelho que o mantenha vivo.

Há quem defende a prática da eutanásia, alegando que se trata de uma maneira de aliviar o sofrimento físico, sem mostrar qualquer preocupação pelas consequências morais deste ato, nem pela sua repercurssão no estado psicológico e espiritual do desencarnado.

Outros acham que, deve ser aplicada quando esse for o desejo do paciente, aduzindo que devemos respeitar a vontade, a autonomia, e a liberdade individual de cada um, pois são (dizem) fatores mais importantes do que a manutenção da vida. Argumentam que o indivíduo é dono de si mesmo e da sua própria vida, sendo este um direito que lhe é garantido constitucionalmente, e assim, classificam este ato como uma "morte assistida". O que se lhe podia chamar, mais propriamente, seria "suicídio assistido", pois a vida é um don de Deus e só Ele cabe extingui-la, mediante as Suas leis sábias e justas.

O tema é abordado na questão 953 d´ O Livro dos Espíritos, onde Kardec pergunta:
- Quando uma pessoa vê à sua frente um fim inevitável e horrível, será culpada se abreviar por alguns instantes os seus sofrimentos, apressando voluntariamente a sua morte?
Resp: Quem não espera pelo termo que Deus marcou para a sua existênca, é sempre culpado. E quem poderá ter a certeza de que apesar das aparências o termo tenha chegado? De que não chegue no último instante um socorro inesperado?

a) - Em circunstâncias normais, concebe-se que o suicídio seja condenável; mas estamos a falar dos casos em que a morte é inevitável e em que a vida só é encurtada por alguns instantes.
Resp: É sempre uma falta de resignação e de subimissão à vontade do Criador. A esta situação acresce ainda o grande desapontamento que o espírito sofre ao chegar ao oytro lado da vida e constatar que em vez de aliviar, o que fez foi agravar o seu sofrimento. O laço cortado antes do tempo, prolonga a ligação do espírito ao corpo, ao passo que na morte natural, tal laço vai-se enfraquecendo gradualmente, ajudando à separação do corpo físico.

Mesmo com todo o avanço da medicina, quem pode garantir o tempo exato de vida de um paciente e as suas possibilidade de sobrevivência?
Na história da medicina encontramos numerosos casos de pacientes em coma, que desafiaram os mais seguros diagnósticos e prognósticos médicos. Um deles, foi o de Harold Cybulski, de Barry´s Bay, Ontário - Canada, um homem de 79 anos, a quem os médicos declararam morte cerebral comatosa. E já se estavam a preparar para desligar os sistemas qu o mantinham vivo, enquanto a família lhe dava o último adeus, quando o seu neto de 2 anos entrou a correr dentro do quarto e gritou, Avô!!. No mesmo instante Cybulski acordou, sentou-se na cama e agarrou no neto. Seis meses depois, já fazia uma vida completamente normal e até guava o carro novo que tinha pensado comprar antes de ter estado em coma. Os médicos de Cybulski não conseguiram dar nenhuma explicação para a sua instantânea recuperação. Este é apenas um caso dos varios espalhados mundo à fora.

Toda essa questão deve ser considerada não aenas do ponto de vista material e orgânico mas, sobretudo, sob a óptica espiritual que, infelizmente, ainda continua a ser desconhecida pela ciência académica, apesar de comprovada cientificamente.

Com efeito, a morte não pode ser considerada só do ponto de vista físico, mas sim como um processo em que esta só se torna efectiva quando estiverem desatados todos os laços fluídicos que unem o espírito ao corpo. Assim, não nos interessa apenas aliviar o sofrimento físico, mas também oferecer ao espírito todos os recursos precisos para que aproveite plenamente a sua reencarnação em termos evolutivos. Emmanuel amplia a questão quando afirma que através de uma está a dar-se um processo de cura. Há doenças que são formas de tratamento, assim como há tratamentos que são formas de doença - é o caso da eutanásia.
No livro "O Consolador!, em resposta a perg. 106: "Nos casos de doença incurável, a eutanásia é boa?. Emmanuel responde: "O homem não tem o direito de praticar a eutanásia em nenhum caso, mesmo que ela seja a demonstração de uma medida benfazeja. A agonia prolongada pode ter uma finalidade preciosa para a alma, e a doença incurável pode ser um bem, como (sendo) a única válvula de escoamento das imperfeições do Espírito, a caminho da sublime adquisição do seu patrimonio da vida imortal. Além disso, os designos divinos são insondáveis, e a precária ciência dos homens não pode decidir sobre os problemas transcendentes das necessidades do Espírito".

Ainda no mesmo livro, à perg, 239: "Entre a dor física e a dor moral, qual delas faz vibrar mais profundamente o espírito humano?", Emannuel esclarece: "Podemos classificar o sofrimento do espírito como sendo a dor-realidade e o tormento físico, seja ele qual for, como a dor-ilusão". Na verdade, qualquer dor física tem em vista despertar a alma para os seus grandiosos deveres, seja como expressão expiatória, como consequência dos abusos humanos, ou como um aviso do corpo material ao seu dono. É esra a razão da dor física chegar e passar, embora se faça acompanhar das transições da morte dos órgãos materiais; só a dor espiritual é suficientemente grande e profunda para promover o luminoso trabalho do aperfeiçoamento e da redenção".

As necessidades espirituais são mais importantes do que as físicas, embora não devamos descuidar estas últimas. Algumas horas a mais no corpo físico podem significar uma melhor preparação do espírito para a sua desencarnação, evitando uma série de sofrimentos e de problemas de adaptação no plano espiritual (lembremo-nos da importância da encarnação e das dificuldades enfrentadas pela espiritualidade para reunir, numa mesma exist~encia, os espíritos que estão ligados por um passado comum), pelo que cada minuto a mais passado num leito de dor surge como uma oportunidade de reajustamento com a lei de causa e efeito. nestes momentos, sabendo intuitivamente que vamos partir, reavaliamos as nossas atitudes, os nossos erros e, arrependidos, muitas vezes procuramos o perdão e a reconciliação com os nossos adversários de ontem na presença dos nossos seres queridos de hoje.

Quando se perguntou a Chico Xavier se a eutanásia, passiva ou ativa, eram práticas moralmente corretas aos olhos de Deus,  respndeu.. "A eutanásia, vista do plano espiritual para o plano físico, constitui sempre uma falta de caridade e uma imprudência, praticadas pelo homem para com os seus semelhantes. Até ao último instante do corpo físico, o espírito encarnado ainda pode aprender lições valiosas e obter recursos que lhe serão de muito proveito logo a seguir à desencarnação".

No livro "Obreiros da Vida Eterna", André Luiz conta o caso de Cavalcante, que agonizava num hospital. Jerónimo, o instrutor espiritual de André Luiz, tinha cortado umas pequenas vaias na região intestinal para diminuir a resistência física, mediante o enfraquecimento gradual e, assim, facilitar a sua desencarnação. A espiritualidade tinha, para com o paciente, um enorme carinho e um extremo cuidado; o Instrutor Jeronimo, ante o desenlace de Cavalcante que se aproximava, afirmou que "(...) ninguém corte, onde possa desatar...". Como o moribundo avistava o plano espiritual, no meio do delírio que antecede a desencarnação, o médico responsável resolveu aplhicar-lhe um anestésico falat, para acelerar-lhe a morte. A espiritualidade tentou uma atitude drástica - fazer a separação inicial antes da aplicação da droga, mas não foi a tempo. A partir daqui, transcrevemos o relato de André Luiz: "(...) Sem qualquer conhecimento das dificuldades espirituais, o me´dico administrou a chamada "injeção compassível", perante a profunda desaprovação do meu orientador. Instantes depois, o morimbundo calou-se. Devagar, os membros inteiriçaram-se. A cara ficou imóvel e os olhos, vítreos. Para um vulgar espectador, Cavalcante estava morto. Mas para nós, não. O desencarnante estava preso ao corpo inerte, em total inconsciência e incapaz de ter qualquer reação.

Sem perder a serenidade optimista, o orientador explicou-me: - a carga fulminante da medicação de descanso (que lhe foi aplicada), atua directamente em todo o sistema nervoso, pelo que interere nos centros do organismo perispíritual. Agora, Cavalcante permanece clonado a trilhões de céculas neutralizadas, adormecidas, e sente-se invadido por um estranho torpor, que o impossibilita de responder aos nossos esforços. Provavelmente, só daqui a mais de doze horas poderemos desatá-lo. ...E, conforme a suposição de Jerónimo, só foi possível a libertação do recém-desencarnado quando j´tinham transcorrido vinte horas, depois de um serviço muito trabalhoso para nós. E mesmo assim, Cavalcante não se retirou em condições animadoras. Apático, sonolento, sem memória, foi levado por nós ao Asilo de Fabiano, por mostrar que precisava de melhores cuidados".

Recordamos por último, o caso de Marita narrado no livro "Sexo e Destino", também de André Luiz - Chico Xavier. Marita é uma jovem que é atropelada, batendo com a cabeça numa pedra, o que lhe provoca fratura de crânio, e que acaba por entrar em coma. O instrutor Félix faz uma prece comovente, pedindo a Deus que lhe dê mais alguns dias de vida. Houve um esforço da espiritualidade para lhe oferecer o máximo possível de tónus vital imprescindível para a manutenção da vida, embora o caso fosse considerado irreversível pela medicina. Mas com a ajuda da espiritualidade, marita continuou viva durante duas semanas, a fim de ser preparada para a desencarnação. Após o desenlace, feito pelos amigos espirituais, André Luiz comenta:
"Felizes da Terra! Quando passardes ao pé dos leitos de todos os que passam por uma longa agonia, afastai do vosso pensamento a ideia de que lhes deveis acelerar a morte!...

Por agora, ainda ignorais o valor de alguns minutos de reconsideração, para o viajante que pretende examinar os caminhos que percorreu, antes de regressar ao conforto do lar. 
Se não vos sentis capazes de lhes oferecer uma frase de consolo ou o socorro de uma prece, afastai-vos e deixai-vos em paz!... As lágrimas que derramam, são pérolas de esperança com que as luzes de outras auroras lhes humedecem a face!... Esses gemidos que sobem do peito aos lábios, parecendo soluços presos no coração, traduzem quase sempre cânticos de alegria, perante a imortalidade que fulgura no além!...

Companheiros do mundo, que ainda tendes a visão limitada pelos arcabouços da carne: por amor aos vossos mais caros sentimentos, dai consolo e silêncio, simpatia e veneração aos que estão a chegar a sepultura! Eles não são as múmias torturadas que os vossos olhos contemplam, destinados à urna que a poeira carcome... São filhos do Céu, que preparam o regresso à Pátria, prestes a transporem o rio da Verdade, a cujas margens também vós chegareis um dia..."

Reconhecemos as nossas limitações e a incapacidade para abranger as necessidades espirituais de cada indivíduo. Mas pelo enorme respeito à vida e às leis de Deus, nosso Pai, devemos fazer tudo o que pudermos para manter a existência corporal, tendo a certeza de que, mesmo com todos os recursos médicos aplicados, a espiritualidade fará o desenlace se tiver chegado a altura.

À medicina, cabe-lhe oferecer os recursos que a ciência desenvolveu para preservar a vida, recursos estes adquiridos pela inteligência do homem, ao serviço da manutenção da vida e da harmonia das Leis Divinas.
E para finalizar deixamos-lhes, o seguinte trecho do ponto 28 do cap.V d´O Evangelho Segundo o Espiritismo:
"O materialista, que não vê senão o corpo e não considera a alma, não pode compreender estas coisas; mas o espírita, que sabe o que se passa no além-túmulo, sabe o valor do último pensamento. Atenuai os últimos sofrimentos o mais que puderes; mas abstende-vos de abreviar a vida nem que seja um só minuto, porque esse minuto pode poupar muitas lágrimas nu futuro"
S. Luiz, Paris, 1860.


Fonte: http://feedbackespiritual.blogspot.pt


Sem comentários :

Enviar um comentário

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...