18 de janeiro de 2016

Reflexão - Resignação na Adversidade



Acostumado milenarmente a viver a vida material, cuja os sentidos são exaustivamente estimulados pela sociedade terrena, o homem do século XXI ainda insiste em rejeitar a sua essência espiritual na busca de sua felicidade, tecendo em si mesmo e em sua volta, dores e sofrimentos, muitas vezes, difíceis de serem diluídos, apesar do considerável avanço tecnológico promovido pelo desenvolvimento intelectual.

A contínua progressão da ciência, em seus mais diversos campos de pesquisa e ação, não solucionou o problema da saciedade humana, tampouco das múltiplas adversidades.

É certo que, conforme afirmam os espíritos, o homem não está reencarnado para “viver uma vida mística, … fora das leis da sociedade…” Contudo, é chamado a “entrar em contato com os espíritos de naturezas diferentes, de caracteres opostos” para chegar a perfeição (ESE – XVII -10);

Surge, então, um grande desafio:  Como ser feliz diante de uma diversidade de culturas, experiências e pessoas vinculadas a um planeta ainda de provas e expiações?  Como compreender os limites entre os interesses pessoais e os coletivos, sem perder de vista os sentimentos que nutrem uma sociedade? Como lidar com tamanha indiferença dos “fortes” em detrimento dos “fracos”? Como transformar os conflitos, oriundos das diferenças intelectuais e morais, em mecanismos de progresso e felicidade? Como evitar o surgimento do mal, embora a busca pelo bem seja uma realidade para os homens? Como lidar com o fenômeno natural da morte, onde os laços afetivos parecem ser rompidos e os sentimentos extintos? Como, finalmente, compreender e confiar em Deus e em seus ocultos desígnios, diante da dor e do sofrimento humano?

Analisando a questão 532 de O Livro dos Espíritos e  o Capítulo IX (ítens 7 a 10) de O Evangelho Segundo o Espiritismo, encontramos algumas respostas para estas indagações, que nos asseveram que nem sempre o que nos parece um mal é de fato um e incorremos neste equívoco quando insistimos em dar foco apenas ao presente de nossas vidas, desconsiderando o nosso passado espiritual e a nossa destinação futura.

Reencarnamos com um objetivo, um propósito inequívoco de chegar a perfeição. E, para tal, faz-se necessário as múltiplas experiências em mundos compatíveis e apropriados às nossas íntimas necessidades, num perfeito encadeamento universal.

Realidades diferentes, neste contexto, são fundamentais para que acionemos valores, habilidades e competências (re) construídas ao longo de nossas existências, fruto de um processo incessante de desenvolvimento, cujo aprendizado jamais se perde.

Pouco a pouco, vamos percebendo que a adversidade que se nos apresenta, muitas vezes, foi construída, tão somente, pela nossa invigilância, cabendo-nos os esforços necessários à superação  da mesma, iniciando o difícil caminho de humildade ensinado por Jesus :  “Pedi e obtereis, buscai e achareis, batei e a porta se vos abrirá” (Mateus, VII:  7 a 11).

Mas, o que acontece conosco quando, marcados ainda pelo orgulho que nos traz a ilusão de que sempre somos superiores ao(s) outro(s), não admitimos os meios pelos quais a Providência Divina nos educa?  Rebelamo-nos e, por vezes, prolongamos o nosso momento de dor…

Entretanto, a confiança em Deus, a certeza de que Ele não nos uniu a ninguém sem uma justa razão, estabelece em nós, gradativamente, a esperança e a resignação necessárias para enfrentarmos, com paciência, as diversas experiências evolutivas.

Através de sua misericórdia e seu amor, somos incessantemente apoiados e amparados em nossas lutas por seus mensageiros de luz, os trabalhadores do bem, os guias da humanidade em marcha.

O mal, que antes nos despertava os mais difíceis sentimentos, é compreendido como a “adversidade” necessária ao nosso processo expiatório e evolutivo.

O perdão das ofensas, tão bem ensinado por Jesus, vai se consolidando em nós, tornando-se uma prática indispensável ao nosso estado de equilíbrio mental, físico e espiritual.

A morte, do ponto de vista material, vai perdendo o foco de nossas atenções e a valorização da “vida”, seja do espírito (des) encarnado ou de qualquer princípio inteligente em progresso, vai nos ampliando a consciência espiritual e nos  integrando à Consciência Divina.

E, finalmente, a prática do amor e da caridade ao próximo, quimera para muitos que ainda se afinizam com egoísmo passa a ser a condição de nosso bem estar; o meio de ascensão moral e espiritual; a lição rotineiramente ensinada e vivenciada pelo Cristo junto a todos nós, que nos inspira confiança e paz!

A resignação na adversidade é um desafio para todo espírita!

Mas também é a força capaz de impulsioná-lo adiante, de superar as próprias imperfeições e de estimulá-lo ao desenvolvimento de tantas outras virtudes, necessárias a sua felicidade.

Caminhemos resolutos, juntos, firmes e conscientes de nossas lutas evolutivas!

Caminhemos, porém, resignados com Jesus.

Muita Paz!

Fonte:
publicado em 14 dezembro de 2015 • Helano Monteiro Damasceno
http://celd.org.br/resignacao-na-adversidade/

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